Uma primeira página sobre cinema vertida da minha pena não poderia senão começar pelo filme da minha vida, já visto e revisto mais vezes do que as que consigo contar, sempre fascinante e belo até às lágrimas.
Homer, interpretado por Kurt Bois na última actuação da sua vida, é o narrador esquecido pelos seus ouvintes, procurando pelas suas memórias nas ruínas de uma Berlim destruída e dividida em tantos fragmentos quantos os seus habitantes.
Diz-me, Musa, o nome
do pobre cantor imortal que,
abandonado pelos seus
ouvintes mortais, perdeu a voz
e, de anjo de narração,
passou a tocar realejo,
esquecido ou escarnecido,
lá longe no limiar
da terra de ninguém.
As Asas do Desejo, Wim Wenders
Peter Handke (script)

Temas muito do meu agrado com uma qualidade surpreendente.
Vou continuar a acompanhar com muito interesse. Fiquei fã.
Muito obrigado. Fico honrado pela atenção.