Um dia, por onde eu tenho passado, por quem eu tenho passado, hão-de dizer
“Eu trabalhei com ele”
“Ele passou por aqui”
“Eu conheci-o”
“Eu dei-lhe trabalho”
como quem diz que conheceu o artista antes de o ser, como quem contribuiu, como quem quer dizer que até teve um papel essencial na minha formação, no homem que sou
“Quem o viu e quem o vê”
mas, lá atrás, no tempo do papel essencial e da proximidade e da passagem,
“Olh’ó intelectual!”
“Tens a mania”
“Trabalha mas é”
de desdém por quem está de passagem e não consegue escondê-lo, de despeito pela passagem, de onde veio e para onde vai mesmo que não saiba e não faça questão de saber, e por ficarem só a vê-lo a passar, como os rafeiros que ladram às rodas que rodam pela estrada fora.