16 12 2008

Um dia, por onde eu tenho passado, por quem eu tenho passado, hão-de dizer

“Eu trabalhei com ele”

“Ele passou por aqui”

“Eu conheci-o”

“Eu dei-lhe trabalho”

como quem diz que conheceu o artista antes de o ser, como quem contribuiu, como quem quer dizer que até teve um papel essencial na minha formação, no homem que sou

“Quem o viu e quem o vê”

mas, lá atrás, no tempo do papel essencial e da proximidade e da passagem,

“Olh’ó intelectual!”

“Tens a mania”

“Trabalha mas é”

de desdém por quem está de passagem e não consegue escondê-lo, de despeito pela passagem, de onde veio e para onde vai mesmo que não saiba e não faça questão de saber, e por ficarem só a vê-lo a passar, como os rafeiros que ladram às rodas que rodam pela estrada fora.

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