blind-net-date

21 02 2010

O que foi feito do amor à primeira vista, do embevecimento que não precisa de palavras senão para entreter o tempo que medeia entre o primeiro instante do encontro e o seguinte, da absoluta entrega? Talvez nunca tenham existido e eu, a perder o interesse em fazer conta às décadas que tenho de vida, ainda continuo à procura de sinais…

Na mesa do lado, no café às escuras, um par que acaba de se conhecer num blind-net-date, comporta-se com se estivessem ambos numa entrevista de emprego…

Ela, fingindo desinteresse e enfado, usando técnicas de escuta activa enquanto beberica o seu café,

“diga-me porque é que você é o melhor candidato”

ele, inchando-se batraquiamente no tecer justificativo e intensional do naperon do seu percurso de vida…

“tem toda a vantagem em aceitar-me porque, além de um percurso cheio de experiências diversificadas e enriquecedoras, sou um elemento com vastas possibilidades de contribuir positivamente para o avanço desta empresa que desejo abraçar como minha”

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