regresso

16 03 2010

Por mais que se viaje e se deseje sair e conhecer o “outro”, há sempre um momento em que os limites do eu se impõem à necessidade de fuga e obrigam ao regresso ao caldo morno e imóvel do ramerrão.

CENA:

Um casalinho americano em Lisboa entra num Starbucks e instala-se em duas poltronas junto a uma mesinha de cento e voltados para uma janela trancada que dá para a fachada do prédio no lado oposto da rua.

Em dez minutos ele levanta-se por duas vezes, dirige-se para a zona do balcão, afastado dos campo de visão dela que, na sua poltrona, se senta com o corpo de lado, com os braços cruzados sobre o colo e as pernas encolhidas como se evitasse ocupar o mínimo espaço à sua volta.

Não tomam nada.

À terceira vez que ele se levanta, dirigindo-se para os lados do balcão junto à saída, ela  desaparece atrás dele seguindo-o a vários passos de distância.

Durante este tempo não trocam palavras, olhares, sorrisos ou algo que dê sinais de reconhecimento da presença um do outro.

Nesta cena passada em Portugal, Lisboa, Chiado, a única palavra que especifica o outro é “americano”. Tudo o resto é esmagadoramente universal, incluindo o café servido pelo franchise americano.

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