Etimologia 4

24 11 2008

Mentir, mente, MENS (lat.), que significa “inteligência, espírito, alma, razão, sabedoria, juízo, discernimento, imaginação”.

O verbo mentir surgiu como derivação do substantivo mente, e descrevia a acção de usar a mente, a inteligência, o intelecto.

nota Entrada baseada no artigo Mentir, mentar, mentor, de Gabriel Perissé.

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Manifestações

23 11 2008

Dedico-me hoje a escrevinhar algumas linhas sobre um pormenor que me chamou a atenção nas notícias de sexta-feira à noite, sobre a manifestação da função pública.

No telejornal que estava a ver, foram divulgados os dados sobre a participação de cerca de 50 mil manifestantes, segundo dados avançados pela Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública, contra 20 a 25 mil, de acordo com o Comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública (PSP), que tinha inicialmente previsto um número de 3 a 4 mil. Aproveito para referir que, além de ter visto a emissão do noticiário televisivo da SIC, acabei de confirmar estes números na edição online do Diário de Notícias (DN), no artigo assinado pela jornalista Catarina Almeida Pereira, na secção de Economia, intitulado “Salários e avaliação levam à rua mais de 20 mil funcionários”.

Foi este o pormenor que me chamou a atenção. Não o dos números, mas o pormenor de estes terem sido avançados pela PSP. É que há menos de uma semana atrás, a PSP, pela boca do seu director-nacional, Oliveira Pereira, anunciou a decisão com “carácter definitivo” de deixar de divulgar números relativos a manifestações. Vale a pena citar o artigo do Diário Digital de 15 de Novembro sobre a manifestação dos professores no mesmo dia:

PSP proibida de revelar número de manifestantes

A PSP deixou de revelar o número de participantes em manifestações, não tendo por isso fornecido valores oficiais sobre a última concentração de professores, noticia hoje o Sol.

Depois da ‘invasão’ de Lisboa por 100 mil docentes, em 8 de Março, cuja divulgação irritou o Governo, as ordens foram para deixar de contabilizar números, adianta o jornal.

O director-nacional da PSP, Oliveira Pereira, assume, em declarações ao SOL, a autoria da decisão. «Foi minha e tem carácter definitivo. Cheguei à conclusão de que não há nenhuma mais-valia nessa divulgação para a PSP, os manifestantes, os sindicatos ou os jornalistas porque há sempre discrepâncias», explicou.

Durante esta semana, o responsável pelas relações públicas da PSP, comissário Paulo Flor, tinha remetido para o Governo a divulgação dos números.

É interessante observar estes pequenos pormenores.

Primeiro, o carácter definitivo das decisões de Oliveira Pereira e, através dele, da força de segurança que dirige, é como os amores, que são eternos enquanto duram, e o seu carácter definitivo relativamente aos números das manifestações foi-o durante seis dias.

Em segundo lugar, é interessante verificar que esta decisão surgiu por ocasião da segunda manifestação de professores durante este ano, tendo a primeira acontecido em Março e, segundo palavras do Sol, irritado o Governo, com os seus 100 mil participantes. Pergunto-me, talvez ingenuamente, se, ao não divulgar números oficiais relativos a uma manifestação potencialmente irritante, a PSP e extensivelmente o Governo, não pretenderiam descredibilizar aqueles avançados pelos sindicatos de professores presentes em Lisboa no dia 15.

Em último lugar, as declarações do director-nacional da PSP podem ser puerilmente consideradas como uma mentirinha, talvez um deslize de quem espera agradar ou talvez um dever forçado. Seja qual for o caso, o senhor director prometeu e não cumpriu e isso é feio, mesmo muito feio. O que me leva a pensar no que os meus pais me diziam sobre as mentiras, que eram sinal de má educação.

Será isto tudo um problema de Educação?